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Gerson Saraiva Moraes

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Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; 2 Coríntios 9:10

DÍZIMO, VOCÊ TEM DÚVIDAS?

De todas as críticas feitas à doutrina do dízimo, talvez a mais frequente seja esta: “O dízimo faz parte da lei cerimonial, e esta foi abolida na cruz. Logo, estou desobrigado de ser dizimista“. A essa critica, respondemos que a prática do dízimo está presente em toda a Bíblia. No Antigo Testamento, está presente nos Livros da lei (Nm 18.21-32), nos Livros Históricos (Ne 13.10-14), nos Livros Poéticos (Pv 3.9,10) e nos Livros Proféticos (MI 3.8-12). No Novo Testamento, está presente tanto nos Evangelhos (Mt 23.23) como nas Epístolas (Hb 7.1-19; 1Co 9.13,14).

É importante dizer que a prática do dizimo é anterior à lei cerimonial (Gn 14.20; 28.18-22). Abraão, quatrocentos anos antes de a lei ser instituída, entregou o dizimo a Melquisedeque, um tipo de Cristo (Gn 14.20; Hb 7.1-10). O dizimo foi incluído na lei, pois foi a maneira de Deus prover o sustento da tribo de Levi, aqueles que trabalhavam no ministério (Lv 27.30-33; Nm 18.21-32; Dt 14.22-29,18.1-8). Os mesmos princípios de sustento dos sacerdotes e levitas no Antigo Testamento são usados para o sustento dos obreiros de Deus no Novo Testamento:

Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? […]. Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tiram o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho (1Co 9.11,13,14)

Logo, os que estão no ministério hoje, na vigência da nova aliança, devem viver do ministério. Embora a ordem levítica tenha cessado como advento da nova aliança (Hb 7.18), os dízimos não cessaram, porque Abraão, como pai da fé, entregou o dízimo a Melquisedeque, um tipo de Cristo, e nós, como filhos de Abraão, entregamos o dízimo a Cristo, sacerdote da ordem de Melquisedeque: Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive (Hb 7.8)

Aqueles que usam Mateus 23.23 para dizer que Jesus sancionou o dízimo antes da inauguração da nova aliança, mas que depois de sua morte essa sanção não é mais válida, esquecem-se de que junto como dizimo Jesus menciona também outros preceitos da mesma lei (a justiça, a misericórdia e a fé): Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dizimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! (Mt 23.23).

Se estamos desobrigados do dízimo, por ser da lei, deveríamos também estar desobrigados desses outros preceitos da lei, ou seja, a justiça, a misericórdia e a fé, pois também são da lei. Fica evidente que Jesus reprova os escribas e fariseus pela sua prática legalista e meritória do dízimo, uma vez que pensavam que o dízimo era uma espécie de salvo-conduto. Imaginavam que, por serem dizimistas, tinham licença para negligenciar os outros preceitos da lei. Na verdade, os escribas e fariseus, besuntados de hipocrisia, estavam superestimando o dízimo e menosprezando os principais preceitos da lei

Ao mesmo tempo, porém, que Jesus reprova a visão distorcida dos escribas e fariseus, que davam grande ênfase ao dízimo em detrimento da justiça, da misericórdia e da fé, referenda a prática do dizimo: … devies, porém, fazer estas coisas [a prática da justiça, da misericórdia e da fe], sem omitir aquelas [a entrega dos dízimos]. Apesar dos desvios de uns e das críticas de outros, devemos continuar fiéis a Deus na entrega dos dízimos, pois este é o claro ensinamento de Jesus, conforme o ensino fiel das Escrituras.

É preciso deixar claro que o dízimo não é uma questão meramente financeira. Trata-se do reconhecimento de que tudo o que existe é de Deus. Não trouxemos nada para o mundo nem nada dele levaremos (1Tm 6.7). Somos apenas mordomos de Deus e, no exercício dessa mordomia, devemos ser achados fiéis (1Co 4.2) O dizimo, mais do que um valor, é um emblema. É um sinal de fidelidade a Deus e confiança em sua providência. A entrega dos dízimos é uma ordenança divina. Não temos licença para retê-lo, subtrai-lo nem administra-lo (MI 3.8-10)

Eu não sou dizimista porque hoje a contribuição cristã deve ser voluntária, e não imposta como o dízimo

Alguns pregadores defendem que temos duas contribuições na palavra de Deus: uma compulsória e outra voluntária. A contribuição para o governo é sempre compulsória, mas a contribuição para Deus é sempre voluntária. Será? Jesus disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22.21). Onde está a diferença entre a contribuição a César e a Deus? Ambas são compulsórias! Quando entregamos o dizimo a Deus, estamos adorando o por sua fidelidade; quando pagamos tributo ao governo, estamos dando a ele o que lhe é de direito (Rm 13.7).

Aqueles que usam o texto de 2Corintios 9.7, Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria, para regulamentar a contribuição cristã em substituição aos dízimos cometem um sério equívoco hermenêutico. Paulo não estava tratando de dízimo, mas de uma oferta especial, levantada para atender os pobres da Judeia (Gl 2.10; 1Co 16.1; 2Co 8.1-5; 9.1). Uma oferta que seria feita e depois cessada. E bem verdade que os princípios ali colocados são permanentes e de forma alguma estão em contradição com o dízimo, pois falam de individualidade, de sistematicidade e de proporcionalidade.

Nenhum teólogo, pastor, igreja ou concílio tem autoridade ou competência para desautorizar uma ordem divina. Os dízimos e as ofertas não deixaram de vigorar porque este ou aquele líder religioso escreveu uma tese de doutorado contra eles e está ensinando que essa prática foi prescrita. Seja Deus verdadeiro, e mentiroso todo homem. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente (Is 40.8). A verdade de Deus não deixa de ser verdade porque é negada por uns e distorcida por outros.

Eu não sou dizimista porque o apóstolo Paulo não orientou as igrejas a entregar os dízimos, mas orientou-as a oferta

Paulo não usou a palavra “dízimo” em suas epistolas, mas ensinou o seu princípio, quando diz que os obreiros no Novo Testamento devem ser sustentados da mesma forma que os levitas eram sustentados no Antigo Testamento (1Co 9.1-14). Por outro lado, a prática do dizimo não dispensa os crentes de serem generosos nas ofertas. Os crentes devem semear com abundância na vida das pessoas, e isso não em substituição ao dizimo, mas além dele. Vemos nessa atitude o mistério do pobre e o mistério do rico. Quem tem mais deve repartir com quem tem menos. Os ricos devem ser generosos na prática de boas obras (1 Tm 6.17,18).

Usar, porém, a voluntariedade das ofertas, conforme ensinada nas epístolas aos Coríntios, em substituição ao dizimo, é não compreender o caráter específico daquela oferta levantada entre as igrejas gentílicas para socorrer os santos da Judeia, em situação de emergência 2Co 8.1-4; 1Co 16.1-4)

Reafirmamos, portanto, que, embora o apóstolo Paulo não tenha usado o termo “dízimo” em suas epístolas, ensinou os princípios do dízimo. Quando se trata do sustento dos obreiros, o apóstolo Paulo recorreu ao mesmo princípio do sustento dos levitas (1Co 9.13,14). Quando falou das ofertas voluntárias para os pobres da Judeia, ensinou que elas precisam ser pessoais, metódicas e proporcionais (1 Co 16.1,2). Não são esses os mesmos princípios que regulamentam os dízimos?

Hernandes Dias Lopes e Arival Dias Casimiro.